Dans le cadre de notre projet MetaOrgTrans sur les méta-organisations et les transformations des territoires vers des ordres sociaux plus justes et plus durables, nous partons en voyage d’étude au Brésil. De Brasília, où nous participerons à l’ATL – Acampamento Terra Livre, rassemblement majeur des peuples indigènes, à Belém, ville-carrefour de l’Amazonie, nous irons à la rencontre d’acteurs engagés dans la défense des communs, des territoires et des modes d’organisation alternatifs.
Ce voyage est une immersion dans des dynamiques collectives où se jouent des formes de coopération, de résistance et d’imagination d’alternatives aux ordres sociaux dominants. En explorant ces terrains, nous espérons enrichir notre compréhension des méta-organisations dans leur diversité, à la croisée des savoirs et des luttes, apprendre des ces acteurs, mais aussi contribuer à de nouvelles formes de solidarités.
ATL est organisé par APIB une méta-organisation de peuples indigènes: https://apiboficial.org/
Poème de Márcia Wayna Kambeba
Povos na Universidade
A visão de mundo
Que na aldeia aprendi
E que trago na alma
É Identidade.
Um tempo profundo
Um rio fecundo
Um canto forte
Resistência que quero mostrar
Nas penas, pulseiras, cocar.
E a cidade cobra sem piedade
Mas como fazer
Se a universidade não me permite ser?
Pataxó, Mura, Kambeba, Guarani.
É preciso desconstruir e permitir
Uma interculturalidade
Um respeito à diversidade
Nessa casa de saber.
Porque na minha universidade-aldeia
Onde o rio corre à vontade
O pesquisador não vai sofrer.
Vai ser bem recebido
Vai comer e vai beber
Conhecer nosso sagrado
Ter respeito no seu querer.
Assim queremos que a universidade
Com nossa nação venha fazer
Se despir do preconceito
Entender que sou um legado
Que o meu fumo enrolado
Afugenta todo mal
É preciso entender nosso tempo
Para sair do seu quadrado.
Também faço ciência
Sou terra, sou água
Segue manso meu rio.
Quero saudar meus ancestrais
Nessa selva de pedra
Antes de sentar para aprender
Bater meu maracá
Pedir licença para partilhar
Porque isso é ciência milenar.
Não sou objeto
Penso e existo.
Não me deixe na invisibilidade
Estou na cidade
Mas minha aldeia levo comigo
Na forma de pensar a universidade
Vamos sentar e a fumaça compartilhar
Fumaça do saber.
Source: https://gamarevista.uol.com.br/cultura/trecho-de-livro/saberes-da-floresta/